Entrar em 2009
.jpg)
Fui passar o fim de ano à Bretanha e vim deliciada com a qualidade de vida daquela gente. Casas extraordinárias (cozinha na sala, lareira no meio,luz em todas as frentes, prateleiras de madeira com a loiça à vista, estão a ver o cosy da questão), um enorme veleiro no jardim e o mundo precisa de pouco mais.
Mas de entre todas as coisas que aprendi, houve dois temas que me supreenderam. A saber:
a) como os parisienses curam ressacas
b) gastronomia
a)primeiro dia acordo com a casa em silêncio, depois de ter quase a certeza que alguém já teria tocado o sino de alvorada. Eis senão quando, desço e vivo a cena final de 'Os Pássaros' na sala. 10 franceses caladinhos, cada um em sua posição inimaginável, a ler BD belga à volta da lareira. Depois,muito devagarinho, iam terminando e passando os livros de mão em mão, sussuravam qualquer coisa, punham um 'croissant' na boca, e de novo à carga. Juro, foram mesmo horas. A pouco e pouco terminavam a hibernação e voltaram à realidade. No primeiro dia todos os estrangeiros gozaram, mas só mesmo no primeiro dia.
b) God damn it, nem sei por onde começar. Por isso vou partilhar convosco as minhas anotações:
-bolo de mel (pain d'épices, mas experimentem com o da Madeira) saído do forno com 'foie gras' caseiro de pato (de pato é da zona Sudoeste, de ganso é da zona Norte), e vinho Sauternes (ou outro qualquer doce, pode ser Porto). Sinceramente,tive vontade de chorar.
(Nota: paté é feito com todas as carnes do animal, o foie gras, como o nome indica, é só o fígado. Aprendi a fazer, é um processo moroso e bastante ´gráfico´mas altamente compensador)
- 'Os à moelle', que é qualquer coisa como a parte interna do fémur da vaca, que é cortado a meio e cada uma das metades assadas em forno de lenha. Vai à mesa com pão de centeio torrado na hora e flôr de sal de Camaret (que era a vila onde estávamos). Tem um aspecto gelationoso e barra-se sobre o pão com sal por cima. Um fémur dá para 4 pessoas. É um prato barato porque ninguém quer o fémur da vaca, e sempre se investe num tinto mais puxado. Again, aquela sensação de 'eu não mereço'
- Crepes brancos e crepes escuros (galettes). Não há cá pão para malucos. Os crepes são os brancos e só se servem à sobremesa com limão e açúcar, ou nutella e banana. Não há nisto muito espaço para criatividade. Aliás, estou convencida que os bretões não são dados a doces e o açúcar que ingerem vem apenas da pastelaria. As galettes são salgadas. Queijo ralado, fiambre com ou sem ovo. A acompanhar é cidra bretã de pressão (diferente da inglesa/irlandesa em que a fermentação é do sumo e não directamente da maçã) em taças de uma haste.
-Sobre o queijo não consigo transcrever-vos as minhas notas. Fica reforçada a minha profunda devoção ao Comte, mais uma vez, sobre todos os outros. Logo seguido por Saint Nectaire. Nisto não há mariquices, é a good old baguette fresca, com doce de cebola. E um tinto, claro.
- O marisco,sem grandes novidades. Famoso na região e fresquíssimo (aliás comprámos aos pescadores) mas em tudo igual à nossa maneira de cozinhar. Mexilhões, ostras, lagostins e búzios.Igual.Acompanha Pinot Gris gelado.Ah minto, os camarões foram salteados em manteiga salgada e whiskey,
Bem, agora de volta a Londres, espera-me neve, e a libra abaixo do euro.
Cheira-me que vou viver a fémur por uns tempos.
4 comentários (miss.londres@hotmail.com):
No Meco, curaram-se a dormir na mata. Bora, 2009!
doce de cebola?
:O
e é bom?!
(feliz 2009!bjuuu***)
é maravilhoso :)
é doce
acerca dessa zona da frança podia-se escrever aí uns 100 posts e ainda ficava muito por dizer...
cada ano,cada vez que pensamos em férias temos que nos contrariar muito para não ir sempre para lá :)
excelente escolha!
Enviar um comentário