Funking hell

O pior de vir a Lisboa é ir de Lisboa.
Se soubessem como me custa tanto e tanto ir-me embora.
Deixar para trás um bocado de mim, todo o calor, e as colinas, todo o calor, até o suor, e as colinas, e os miradouros, e o que é meu.
É que por muito que se passe em Londres, Londres não é minha, eu só a estou a usar para a descartar no futuro.
Mas isto é meu. Tudo meu. Tudo tudo meu. Tudo meu meu. Como o louco da praça do Cinema Paradíso.
O pior de vir a Lisboa é que eu cheiro mal durante uns tempos, que ando convencida que os infelizes fedem.
E não me toquem, não me falem, no avião serei a lá do fundo qual teenager renegada de liceu. Não, não quero água, nem paz no mundo. Eu neste momento quero é Lisboa.
É que me dói mesmo. É físico. Para ser rigorosa o que me dói é o esternocleidomastóideo. Fora de brincadeiras. Se olharem com atenção são até capazes de a ver e tudo. Que a dôr fá-lo inchar ligeiramente.
Funking hell.
3 comentários (miss.londres@hotmail.com):
A tua escrita é deliciosa.
São os teus anónimos olhos.
Como vos li em Sevilha (lembras-te?), é qualquer coisa como: "doía-lhe o orgulho que ele situava, fisicamente, entre a garganta e o coração." Aqui entre nós, eu acho que essa dor que estava descrita no livro não era dor de orgulho... era dor de alma. Vamos a um mojito? :) Baci!
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