15.6.09

Funking hell



O pior de vir a Lisboa é ir de Lisboa.

Se soubessem como me custa tanto e tanto ir-me embora.

Deixar para trás um bocado de mim, todo o calor, e as colinas, todo o calor, até o suor, e as colinas, e os miradouros, e o que é meu.

É que por muito que se passe em Londres, Londres não é minha, eu só a estou a usar para a descartar no futuro.

Mas isto é meu. Tudo meu. Tudo tudo meu. Tudo meu meu. Como o louco da praça do Cinema Paradíso.

O pior de vir a Lisboa é que eu cheiro mal durante uns tempos, que ando convencida que os infelizes fedem.

E não me toquem, não me falem, no avião serei a lá do fundo qual teenager renegada de liceu. Não, não quero água, nem paz no mundo. Eu neste momento quero é Lisboa.

É que me dói mesmo. É físico. Para ser rigorosa o que me dói é o esternocleidomastóideo. Fora de brincadeiras. Se olharem com atenção são até capazes de a ver e tudo. Que a dôr fá-lo inchar ligeiramente.

Funking hell.

3 comentários (miss.londres@hotmail.com):

Anónimo disse...

A tua escrita é deliciosa.

Miss Xangai disse...

São os teus anónimos olhos.

no me mires, no me mires, no me, no me, no me mires disse...

Como vos li em Sevilha (lembras-te?), é qualquer coisa como: "doía-lhe o orgulho que ele situava, fisicamente, entre a garganta e o coração." Aqui entre nós, eu acho que essa dor que estava descrita no livro não era dor de orgulho... era dor de alma. Vamos a um mojito? :) Baci!